O Deputado do PSD Jorge Moreira da Silva, é o relator do Parlamento Europeu para as Alterações Climáticas e chefiou a delegação do PE à 6ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP6), que teve lugar em Haia.
Jorge Moreira da Silva teceu os seguintes comentários sobre a Conferência de Haia:
"A 6ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP6) que teve lugar na Haia, entre 13 e 25 de Novembro, tinha um duplo objectivo: por um lado, concluir a redacção do Protocolo de Quioto (iniciada em 1997), por outro, preparar a ratificação do Protocolo de forma a que este pudesse entrar em vigor até 2002. No fundo, estava em causa abandonar a fase de debate, onde estávamos embrenhados desde 1992, e passar à fase de aplicação de uma política, à escala global, de limitação da emissão de gases com efeito de estufa.
Em cima da mesa estavam 5 questões essenciais:
. o equilíbrio a estabelecer entre a acção doméstica e os mecanismos flexíveis (como o comércio de emissões);
. a existência de um lista positiva, no âmbito dos projectos a integrar o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que não incluísse a energia nuclear;
. o recurso, mais ou menos restritivo, a sumidouros de dióxido de carbono;
. o estabelecimento de linhas de financiamento dos Países em Vias de Desenvolvimento;
. a definição de instrumentos de fiscalização e cumprimento do Protocolo.
Sobre estes questões houve um absoluto desacordo entre os três principais blocos de países: a União Europeia, o "umbrella group" (Estados Unidos, Japão, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Noruega) e o G77 (países em vias de desenvolvimento, China, Índia e Brasil), pelo que foi impossível chegar a um acordo em Haia. As negociações serão reabertas, numa nova COP6, a ter lugar em Bona, em Maio de 2001.
Há três conclusões que devemos retirar do fracasso de Haia:
